Título da Fanfic: Um dia de sol
Título do Capítulo: Talvez à tarde
Categoria: Original
Gênero: Comédia, dia-a-dia escolar
Calssificação de idade: 10+
Estávamos indo até nosso apartamento para almoçar quando comecei a pensar. Isso era o pior mau presságio possível, já que eu nunca chegava a boas conclusões quando pensava (talvez por isso eu o fizesse pouco). Eu comecei a perceber que eu estava estranha. Meu quadro normal (normal para mim) de criança louca e hiperativa não era mais nada disso, desde que eu chegara aqui eu estava sendo calma e sã, e eu nunca tinha ficado assim. Talvez alguém estivesse me envenenando, colocando passiflora na minha comida... Não. Eu confiava o bastante em Chiki e Bella pra saber que não fariam isso, e mesmo que o fizessem, não causaria tal efeito. Minha mãe já tentara fazer isso para me acalmar, mas só em deixara com mais hiperatividade e insônia. Isso também me lembrou que certa vez, em um verão na praia, eu tomara uma jarra de 2 litros de suco de maracujá natural em menos de 10 minutos e ficara com insônia por uma semana [fato verídico]. Com certeza não era nada calmante que havia me deixado em meu estado atual, essas coisas tinham o efeito contrário em mim.
Mas o que deixou-me assim então? Eu fiz uma rápida lista mental das coisas das quais fui exposta aqui que eu não era na minha cidade natal. Não podia ser o ar daqui, nem a água, nem nada do ambiente, essas coisas também não me afetam. O mais provável era... A comida da Bella e da Chiki. Era claro que uma colher da comida das duas era capaz de matar uma baleia azul adulta, então ela seria capaz de fazer o impossível, ou seja, mudar meu humor. Mas como eu fugiria disso? Eu teria que convencer elas a almoçar sempre em alguma lanchonete, e elas me fariam pagar. Eu não teria coragem de dizer pra elas que a comida delas me fazia mal, elas ficariam tão tristes, e a Bellinha faria aquela carinha de fofa e eu ia me arrepender pelo resto da minha existência. Mas eu também não ia ter dinheiro pra pagar lanchonete pra elas todos os dias... Talvez eu devesse usar a velha desculpa de “eu não quero atrapalhar vocês” e ir morar com outra pessoa que cozinhasse normalmente... Ou que não soubesse cozinhar mas que também não o fizesse, assim eu cozinharia. Não que minha comida fosse boa, diferente da das garotas a minha matava uma baleia azul adulta com meia colher, mas pelo menos ela não me afetava.
Quando percebi, já estávamos na porta do apartamento... Era agora ou nunca!
- Hey... Você cozinham todo o dia... Não estão cansadas? Nós poderíamos comer em outro lugar, que tal? – Eu falei e vi que um sorriso abriu no rosto de Bella. Algo me dizia que nem ela suportava sua comida.
- Agente podia almoçar com a Mistky e a senpai. – Disse Bella animada.
- Sim! A Mistky cozinha muito bem – Disse Chiki – Ela não se importará se nós formos comer lá, né?
- Acho que não... E eu quero conversar com a senpai mesmo assim – Bella falou, decidindo que iríamos comer com seja lá quem fossem essas pessoas.
Nós fomos caminhando até outros dos prédios residenciais, e se não em engano aquele prédio era dos alunos do último ano. Chegamos até uma porta que tinha a sua plaquinha de número e nomes feita de tecido, era azul e muito fofa, nela estava o numero do quarto bordado e os nomes “Mistky & Bella” bordados também. Tão fofo que me deu vontade de apertar. As garotas começaram a gritar “MISTKYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!” até que uma garota abriu a porta. Ela tinha longos cabelos cor de chocolate, lisos e brilhantes, seus olhos eram azuis claros e ela tinha um rosto doce e simpático, e em seu colo havia um coelho que mudava de cor.
- Sim meninas, o que desejam? – Ela disse docemente. Era óbvio o que elas queriam, mas a garota era tão simpática que deve ter achado rude demais não perguntar. Ela me parecia uma das poucas pessoas que passava no meu exame de simpatia: Para mim pessoas simpáticas eram aquelas que sabiam sorrir nos momentos que eu fecharia a porta na cara dos outros. Esse era um dos momentos.
- Mistky, nós podemos almoçar com vocês? – Bella disse e fez uma cara tão fofa que só ela seria capaz de fazer. Até eu sucumbiria para aquele rostinho fofo.
- Claro meninas! Nós não nos importamos, certo Bella? – Ela falou, como se realmente não se importasse. Essa garota era Deus, ou algum parente muito próximo a Ele.
N/A: Para não haverem maiores confusões, a partir desse momento toda a vez que for falado “Bella”, “Bella-senpai” ou “Senpai” estarei me referindo à Bella-senpai (que mora com a Mistky) e quando eu falar “Bellinha” ou “Bellin” estarei me referindo à Bellinha (que mora com a Chiki).
Nós entramos no apartamento e ele tinha um doce cheiro de ‘sinta-se em casa’. Na sala, vendo TV, estava uma garota de longos cabelos negros e olhos de mesma cor.
- Senpai, você ficou sabendo? – Disse Chiki, logo que entrou.
- Do que? - A garota de cabelos negros perguntou.
- Da festa que a tia Lyn vai fazer hoje de noite pra chegada da Lil! – Bella falou, se intrometendo.
- Isso é mesmo um colégio ou mentiram para nós? Amanhã é dia útil! – Disse Mistky.
- Falando nisso, onde acontecem essas festas? No colégio? – Eu falei, tentando entrar na conversa.
- Ah... Bom... Eu acho que você já deve ter percebido que nossa professora de matemática é deveras... Feliz... – Disse Bella-senpai, e eu assenti com a cabeça, enquanto a Bellinha cochichava ‘a tia até tocou uma borracha na coitada’ – Então... O caso é que aqui no colégio temos um grande salão de festas, mas a alguns anos a chave do salão estranhamente ‘sumiu’ da sala do diretor e agora a chave aparece somente nos dias de festa na casa da Lyn e logo depois desaparece, estranhamente... Bom, é isso que as lendas dizem – Ela falou e começou a rir, não em segurei e comecei a rir junto delas.
- Eu achei que essas coisas não existiam no mundo em que vivíamos... Não basta apenas pedir a chave? Pra que essa... Lenda toda? – Eu falei ainda rindo.
- Podia ser, né? Mas o diretor insiste em dizer que o salão só pode ser usado por algum motivo especial, como alguma festa de fim de ano organizada pelos clubes, e não para festas todo o dia – Chiki falou – Agora ele nem a chave possui mais... – Chiki falou rindo novamente.
- Falando em clube, em que clube você vai entrar Lil? – Bellinha me perguntou, mas eu não pude responder por causa e uma interrupção.
- Lil? Você é a Lil? – Bella-senpai perguntou e Bellinha começou a rir e falou entre as risadas ‘Quem você achou que era?’ – Prazer em conhecê-la, a Bellinha disse que você é... Feliz...
Ah, claro. Feliz. Traduzindo: Eu era uma maluca. Eu sempre dizia que era doida, e não me importava com isso, mas agora isso me deu uma pontada no estomago. O que estava acontecendo comigo? Essa comida da Bellinha e da Chiki não podia fazer tanto efeito em mim... Deviam estar fazendo vudu comigo!
- Ah, sou eu sim! – Eu falei, sorrindo agora – Bellinha... Eu não sei em que clube entrar... Eu nunca soube fazer nada bem o bastante pra entrar em clubes...
- Hum... Isso não deve ser verdade... Você deve gostar de fazer alguma coisa, não é? – Disse Mistky, carinhosamente.
- Ah... Eu gosto de escrever... – Era a única coisa que eu sabia fazer, para ser mais sincera.
- Ah Meu Deus! – Bellinha falou e começou a rir, eu não entendi.
- Sim, Bellinha? – Eu perguntei.
- Você tem meia chance para adivinhar quem é a professora responsável pelo clube de escrita! – Bellinha falou, rindo ainda.
- Quem? – Eu perguntei.
- É a tia Lyn! Parece que você vai acabar passando seu dia inteiro com ela, Deus! Você tem aulas com ela, ela é responsável pelo seu futuro clube e como você é festeira vai estar sempre nas festas! – Chiki falou agora, rindo também.
- Ah, tudo bem, ela parece legal sem uma borracha nas mãos! – Eu falei, tentando me animar. Maldita comida da Bellinha e da Chiki! Maldito vudu!
- Então está acertado! Eu sou do clube de escrita e hoje a tarde eu te levo lá para você se inscrever, certo? – Bella-senpai falou, animadamente.
- Ah, eu prefiro ficar em casa hoje a tarde, preciso testar umas teorias... – Eu disse, e Bella-senpai assentiu.
- Amanhã, então – ela falou sorrindo.
Nós almoçamos, calmamente. A comida estava ótima, muito gostosa, se a comida das garotas era o problema do meu humor, ele teria que sumir agora. Essa idéia me fez sorrir, bom sinal, meu humor normal era bem feliz.
Depois de agradecermos à Mistky por ela ter nos aturado durante um almoço inteiro e nos desculparmos por termos abraçado e apertado o coelho dela até ele ficar sem ar, voltamos à nosso apartamento. Eu me sentia mais leve, talvez fosse a comida, talvez fosse só o motivo de que eu estava começando a me socializar.
Continua no próximo post_________________

♪ I wonder, how am I supposed to feel when you're not here?
'Cause I burned every bridge I ever built when you were here
I still try holding on to silly things I never learn
Oh why, all the possibilities I'm sure you've heard ♪
Família Ootori ♥